Hoje, gostaria de abrir um espaço para refletirmos sobre uma prática que tem se tornado cada vez mais comum em nossas instituições: o uso da Inteligência Artificial (IA) na avaliação de trabalhos de conclusão de curso (TCCs).
Você já observou como alguns
professores têm recorrido ao uso da IA para avaliar os TCCs? Isso tem gerado
discussões acaloradas. Por um lado, é inegável que as ferramentas de IA, como o
ChatGPT, podem contribuir com contribuições relevantes, apontando erros
gramaticais1 e sugerindo melhorias. No entanto, será que devemos
confiar plenamente nessas análises automatizadas?
Imagine um professor que, ao
receber um TCC, decide anexá-lo a uma IA para gerar comentários de avaliação. O
que isso implica? Em teoria, parece uma abordagem eficiente, mas, será que a IA
consegue captar a essência do trabalho, a originalidade da pesquisa e a
profundidade do argumento? Acredito que ainda há um espaço vasto e fundamental
para a análise crítica humana, que considera o contexto e a intenção do autor,
algo que a IA, por mais inteligente que seja, não consegue replicar
completamente.
E que tal pensarmos na ética
desse uso? Quando um professor utiliza feedback gerado por uma IA, estamos
diante de uma ferramenta que pode, inadvertidamente, assumir um papel central
na avaliação do aluno. Isso é justo? O que acontece se essa prática tornar-se
uma norma? Estamos, de fato, preparando nossos alunos para agir de forma
crítica e criativa, ou estamos apenas fomentando uma dependência de análises
automatizadas?
Vamos pensar juntos: como
podemos equilibrar essa relação com a tecnologia? A IA pode ser uma ferramenta
auxiliar, mas não devemos deixar que ela substitua o olhar crítico e humano que
cada um de nós traz para a educação. Nosso papel como educadores é guiar,
inspirar e, acima de tudo, oferecer um feedback personalizado que reconheça o
esforço e a singularidade de cada estudante.
Ao dialogar sobre o uso da IA na
avaliação de TCCs, somos convidados a refletir sobre o que realmente
valorizamos na educação. Que possamos, juntos, encontrar a melhor maneira de
integrar essas tecnologias em nossas práticas, sempre com o foco no aprendizado
e desenvolvimento de nossos alunos.
Nota:
1. Embora a tecnologia aponte
desvios de norma culta, entendo que a revisão gramatical rigorosa e estilística
cabe a um profissional formado em Letras, que possui o domínio linguístico
necessário para tal análise.

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