HIPÓTESES: DESENVOLVIMENTO E CARACTERIZAÇÃO

Uma hipótese é uma proposição testável que oferece uma solução potencial para o problema de pesquisa. Trata-se de uma afirmação provisória, sujeita a verificação, que serve como guia essencial para a investigação. As hipóteses preenchem a lacuna entre a teoria abstrata e a observação empírica, proporcionando um foco claro para a coleta e análise de dados. Ao confirmar ou refutar a hipótese, o pesquisador pode fornecer uma resposta direta à questão de pesquisa inicial.

As hipóteses podem ser classificadas com base na natureza da relação que propõem:

· Hipóteses casuísticas: essas hipóteses referem-se a um evento ou caso específico e único. São frequentemente utilizadas em pesquisas históricas, onde os fatos são considerados singulares. Um exemplo seria uma hipótese sobre o verdadeiro local de nascimento de uma figura histórica;

· Hipóteses baseadas em frequência: comuns em pesquisas sociais, essas hipóteses partem do pressuposto de que uma determinada característica ocorre com uma frequência específica em um determinado grupo, sociedade ou cultura. Por exemplo, uma hipótese poderia afirmar que a crença em horóscopos é difundida entre os moradores de uma cidade específica;

· Hipóteses de associação: essas proposições estabelecem uma relação ou correlação entre duas ou mais variáveis. Elas indicam que as variáveis ​​estão relacionadas, mas não especificam causalidade ou influência. Um exemplo é: "Alunos de cursos de administração são mais conservadores do que aqueles de ciências sociais";

· Hipóteses de dependência: essas hipóteses propõem que uma variável (a variável independente) influencia ou causa uma mudança em outra (a variável dependente). Isso implica uma relação causal. Por exemplo: "A classe social da mãe (variável independente) influencia a duração do aleitamento materno de seus filhos (variável dependente)."

As hipóteses podem ter origem em diversas fontes, cada uma contribuindo para o processo criativo da investigação científica. As principais fontes incluem a observação de eventos cotidianos, os resultados de outras pesquisas, que podem sugerir novas relações a serem testadas, teorias existentes que fornecem uma estrutura ampla para gerar previsões específicas e a intuição ou simples palpites, que historicamente levaram a descobertas significativas.

Para que uma hipótese seja cientificamente útil, ela deve ser testável e aplicável. Isso requer que ela possua certas características essenciais:

1. Clareza conceitual: todos os conceitos e variáveis ​​dentro da hipótese devem ser definidos de forma clara e inequívoca. Definições operacionais, que especificam como um conceito será medido, são altamente preferíveis;

2. Específica: a hipótese deve ser precisa e focada, em vez de excessivamente geral. Uma hipótese ampla é difícil de testar. Muitas vezes, é melhor decompor uma proposição geral em sub-hipóteses mais específicas;

3. Empiricamente referenciada: a hipótese deve ser verificável por meio da observação e não deve envolver juízos de valor (refletindo diretamente a exigência de que o próprio problema de pesquisa seja empírico e não baseado em juízos de valor). Palavras como "bom", "ruim", "deveria" ou "deveria" não têm lugar em uma hipótese científica porque não podem ser testadas empiricamente;

4. Parcimônia: Se duas hipóteses têm igual poder explicativo, a mais simples é sempre preferida. Esse princípio, conhecido como parcimônia, desaconselha explicações desnecessariamente complexas.

5. Relação com as técnicas disponíveis: uma hipótese só é útil se puder ser testada com métodos de pesquisa existentes e acessíveis. É necessário garantir que existam técnicas adequadas para coletar os dados necessários para testar a proposição;

6. Relacionadas a uma teoria: hipóteses que estão ligadas a uma estrutura teórica mais ampla são mais poderosas. Uma hipótese confirmada que faz parte de uma teoria contribui para um corpo de conhecimento mais amplo e permite uma maior generalização de suas descobertas.

Com um problema bem definido e uma hipótese testável estabelecida, o pesquisador definiu a estrutura intelectual central do estudo. A próxima fase envolve a seleção das ferramentas práticas, a metodologia de pesquisa específica, que serão utilizadas para conduzir a investigação.

REFERÊNCIA

GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

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