FORMULAÇÃO DE UM PROBLEMA DE PESQUISA VIÁVEL

 

O problema de pesquisa é a pedra angular de qualquer investigação científica. É a indagação inicial que dá origem a todo o processo de pesquisa. Um problema bem formulado fornece a direção e o foco essenciais para o projeto, orientando todas as escolhas subsequentes, desde a seleção da metodologia até o planejamento da análise de dados. Isso não é um exercício semântico; um problema mal concebido leva inevitavelmente ao desperdício de recursos e a resultados inconclusivos, pois todas as etapas subsequentes, da hipótese à coleta de dados, serão construídas sobre uma base falha.

É essencial diferenciar um problema geral de um problema de pesquisa científica. Um problema científico é uma questão que pode ser investigada por meio de métodos empíricos. Isso o distingue de outros tipos de investigação. Por exemplo, problemas de "engenharia" focam em como fazer algo de forma mais eficiente (ex.: "Como podemos melhorar o transporte urbano?"), enquanto problemas de "valor" questionam o que deve ser feito com base em julgamentos morais ou éticos (ex.: "Os pais devem bater em seus filhos?").

A pesquisa científica não pode responder diretamente a essas perguntas. A ciência pode medir os resultados das palmadas (ex.: níveis de ansiedade, comportamento violento futuro), mas não pode emitir um veredito moral sobre se a prática é "certa" ou "errada", pois essa é uma questão de ética, não de fato empírico. Um problema científico, em contraste, envolve variáveis ​​que podem ser observadas ou medidas.

Para garantir que um problema de pesquisa seja robusto e possa orientar uma investigação bem-sucedida, ele deve atender a cinco critérios principais.

1. Formulada como uma pergunta: Esta é a maneira mais direta e clara de apresentar um problema. Elimina a ambiguidade e direciona imediatamente a investigação. Afirmar "O problema do divórcio" é vago, enquanto perguntar "Quais fatores levam ao divórcio?" fornece um ponto de partida claro para a investigação;

2. Clareza e Precisão: O problema deve ser articulado sem ambiguidade. Terminologia vaga ou conceitos mal definidos tornam um problema insolúvel. Uma pergunta como "Como a mente funciona?" é muito ampla e abstrata para pesquisa. Uma formulação mais precisa, como "Quais mecanismos psicológicos estão envolvidos no processo de memória?", fornece um caminho claro para a investigação;

3. Empírico: O problema deve se referir a fenômenos observáveis. Não pode se basear em juízos de valor ou percepções subjetivas que não possam ser verificadas. Uma questão que investiga se um grupo de pessoas é "melhor" do que outro não é empírica. No entanto, um problema pode ser transformado para se referir a fatos empíricos, como investigar diferenças no desempenho acadêmico ou nos níveis de renda entre grupos;

4. Suscetível a uma solução: O problema deve ser pesquisável utilizando os métodos e tecnologias disponíveis. Uma questão pode ser clara e empírica, mas se não houver meios para coletar os dados necessários, ela não poderá ser resolvida. Formular um problema apropriado requer uma compreensão das técnicas de pesquisa disponíveis;

5. Delimitação a uma Dimensão Viável: Os problemas de pesquisa, especialmente em ambientes acadêmicos, são frequentemente formulados em termos excessivamente amplos. Uma pergunta como "O que os jovens pensam?" é muito vasta. É necessário delimitar o escopo especificando a população (por exemplo, idade, localização) e os aspectos específicos de seus pensamentos a serem investigados (por exemplo, atitudes em relação à religião, percepção de questões globais). Essa delimitação deve estar alinhada com o tempo e os recursos disponíveis.

Formular um problema de pesquisa claro, preciso e viável é o ato fundamental da investigação científica. Uma vez que essa questão esteja firmemente estabelecida, o próximo passo lógico é propor uma resposta potencial na forma de uma hipótese testável.

REFERÊNCIA

GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

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